Todo circuito tem um trecho que vira sinônimo dele. Em Interlagos, é a sequência logo depois da largada: uma descida à esquerda, compressão, direita em subida. Três segundos de pista que carregam um nome — S do Senna.
Antes do S
O Interlagos original, inaugurado em 1940, tinha quase 8 km desenhados sobre o relevo natural do terreno entre duas represas. Era rápido, longo e castigava máquina e piloto. Nos anos 1980, porém, o traçado gigante já não atendia aos padrões da Fórmula 1, e o GP do Brasil migrou para Jacarepaguá, no Rio.
A reforma de 1990
Para trazer a F1 de volta a São Paulo, o circuito passou por uma reforma profunda: o traçado encolheu para os atuais 4,309 km, preservando parte do desenho clássico e criando uma conexão nova logo após a reta principal. Essa conexão — a descida em esses que despeja os carros na Curva do Sol — recebeu o nome do piloto que dominava a era: Ayrton Senna.
1991: a vitória da sexta marcha
O batismo ganhou peso definitivo um ano depois. Em 1991, Senna liderava em casa quando o câmbio da sua McLaren começou a falhar; nas voltas finais, restava praticamente só a sexta marcha. Ele segurou Riccardo Patrese debaixo de chuva fina e cruzou em primeiro, exausto a ponto de precisar de ajuda para levantar o troféu no pódio. Em 1993, venceu de novo em Interlagos, sob chuva — outra atuação que entrou para a memória do circuito.
O S no relevo
No quadro de Interlagos, o S é o primeiro trecho que o dedo encontra depois da reta: impresso em 3D com o traçado oficial, em relevo físico sobre a arte. A história acima cabe em três segundos de pista — e em três centímetros de relevo.